DO G1
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou nesta quarta-feira (4) que o faturamento real da indústria cresceu 1,6% em abril de 2008 na comparação com março, já descontados os efeitos sazonais. Segundo os dados da pesquisa Indicadores Industriais, divulgados na sede da CNI, o faturamento real da indústria aumentou 11,7% na comparação com abril de 2007. Entre janeiro e abril de 2008, o crescimento foi de 8,7%, na comparação com o mesmo período do ano passado.
De acordo com a pesquisa, as horas trabalhadas aumentaram 1,1% de março para abril de 2008. Na comparação com abril de 2007, o aumento foi de 9,1%. E no acumulado de janeiro a abril deste ano, o crescimento foi de 6,7% na comparação com o mesmo período de 2007.
O economista-chefe da CNI, Flávio Castelo Branco, explicou que, em março, houve uma “acomodação temporária” do setor, em função do carnaval em fevereiro. “Aquele pequeno recuo que observamos em março, nas horas trabalhadas e faturamento, era devido a esse fator calendário. Agora em abril o crescimento retoma, dando seqüência à trajetória de expansão”, disse o economista.
Por outro lado, a utilização da capacidade instalada permaneceu praticamente estável em abril – foi de 83,2% ante 83,1% em março. “Se tivéssemos uma pressão sobre o uso da capacidade, estaríamos dizendo que alguns segmentos estariam batendo no topo da capacidade produtiva. E, quando começa a bater no topo, isso significa que há limitação por conta da oferta, não atendendo à demanda. Isso poderia gerar pressões de preço e de custo”, disse Castelo Branco.
O economista-chefe da CNI disse ainda que, apesar do início do ano mostrar um crescimento da indústria mais forte que em anos anteriores, o panorama deve mudar no segundo semestre. Ele citou fatores como a desaceleração da economia internacional, a valorização da taxa de câmbio, que significa perda de competitividade para as empresas brasileiras, e o novo ritmo de “aperto” da política monetária.
“O início muito forte não deve se manter assim nos próximos meses. É possível que no terceiro trimestre ainda tenhamos um ritmo mais forte, mas é bem provável que no segundo semestre um arrefecimento desse ritmo venha a ser observado”, afirmou.
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